Capítulo Terceiro
(…) na altura em que se desviava do raio que quase o partiria, não fosse os seus reflexos sortudos, bateu com força, de cabeça, numa das colunas da sala. Viu tantas, mas tantas estrelas que teria pensado, caso não tivesse ficado automaticamente inconsciente, que mergulhava no próprio sol.
Por momentos, que pareceram anos, voltou à consciência e apercebeu-se de outra presença. Abrir os olhos era-lhe difícil mas os seus sentidos avisavam-no de que deveria se levantar. Parecia que Margarida lhe sussurrava aos ouvidos, estranhas palavras de afecto e consolação.
Abriu os olhos e nem queria acreditar que ela se encontrava à sua frente.
-Margarida! - tentou dizer ao levantar-se e ela sorriu.
-Isto é mesmo verdade, meu amor? - continuou.
Margarida falava-lhe sem abrir a boca, um feito que lhe arrepiou a espinha:
-Precisas de acordar…
-Oh diabo… Bem me parecia que…
-Não te consigo proteger durante muito mais…
-Mas como é que estás aqui agora?
-Isso agora não interessa, precisas…
-E como é que fazes esse truque com os lábios?
-Tens de perceber que…
-É que isso é um truque bem catita, Mar…
Pela segunda vez viu estrelas mas estas doeram-lhe mais pois foram resultado do contacto da mão de Margarida com a sua face, com uma velocidade que nem mesmo em sonhos…
-ACORDA!
Levantou-se como uma mola, a respiração ofegante. Escuridão à sua volta. Algo se movia nas sombras à medida que a sua visão se ia adaptando à fraca luminosidade.
-Oh diabo… Que raios..?
Não chegou a terminar a frase pois o que quer que se mexesse nas trevas encaminhava-se para ele e era gigantesco e viscoso. Num salto colocou-se de frente para a vil criatura mas os seus instintos (ou seria Margarida?) avisavam que algo estava ainda mais errado.
Tacteou a parede e encontrou uma saída enquanto gritou em pensamentos:
-Apre! São mais “q’às” Mães!
Quase tropeçou nas escadas mas não quis saber se era outra armadilha para onde estas o levavam. Engatado pela adrenalina, reparou que tinha a sua fiel espada na mão…